Do flop ao viral: publis que ensinam sobre o marketing de influência

Marketing de influência

Sabe quando você descobre um produto porque acompanha alguém que indicou e não porque um anúncio aleatório apareceu no feed? É por esse caminho que o marketing de influência nos leva: marcas e criadores de conteúdo nas redes sociais unem briefing, recomendação e criatividade para gerar conexão. Essa estratégia é valorizada, pois a marca entra em um território onde o público já é engajado e se apoia na credibilidade e autenticidade do influenciador, ingredientes que abrem espaço para formatos criativos e inovadores, ligando marca e audiência de maneira orgânica.

No entanto, nem toda collab rola de forma natural ou traz ideias que surpreendem. Geralmente acabam reduzidas a publis, reviews e posts patrocinados sem graça. E é justamente por isso que vamos encher sua mala do repertório com exemplos que quebram o padrão e vão além do que costumamos ver. Acompanha aí!

Memes, flops & deslizes

Antes de abrir a porta e te mostrar os “mais mais”, bora ver umas gafes? Mari Baianinha experimentando bebida vegetal e fazendo careta. Karen Bachini divulgando produto para dar brilho aos cabelos com as madeixas visivelmente secas. Gabi Brandt dizendo que o secador é silencioso e, ao ligar, o som do tufão inicia… (eu sabia que você ficaria com curiosidade pra ver, por isso o compilado dos vídeos tá aqui abaixo!)

Brincadeiras à parte, essa é a sensação confusa que algumas ações de marketing de influência já provocaram. Seja num simples story ou num vídeo mais elaborado, o público nota facilmente quando algo sai da naturalidade esperada. Sem falar das #publis veladas (que são ilegais!), escondendo a hashtag ou simplesmente não as colocando em local algum.

“Vocês estão vendo o brilho e a leveza desse cabelo? (Imagem de vassoura)”, comenta internauta sobre a publi de Bachini — Vídeo: Reprodução TikTok

Numa dessas, Camila Loures virou meme. O vídeo foi gravado com “muita pouca vontade” para a Salon Line, marca de produtos para cabelo, junto de uma música em alta nas redes. A união dessa performance meio chocha com o estado capilar da influenciadora gerou uma repercussão enorme: as pessoas passaram a comprar produtos da marca para fazer igual, reproduzindo o mesmo vídeo, mas de forma engraçada. Ótimo para a marca, já para a credibilidade da creator

Nas redes, teve debate. Os tuiteiros de plantão comentaram: “O  lance da publi da Camila Loures tá aí pra provar por a+b que existem influencers pequenos entregando conteúdo de qualidade, e ganhando muito menos pra falar de um mesmo produto que uma blogueira grande, que entregou o trabalho de qualquer jeito” e “A mulher com mega-hair, corte químico e o cabelo todo zoado. A Salon Line quer cliente ou hater?”.

Faux pas

Calma, calma… Não é só na terra das palmeiras, onde canta o sabiá que os criadores de conteúdo fail, my friends. Em 2012, Oprah tuitou seu amor pelo novo tablet Microsoft Surface a partir de um… iPad. E, claro, a internet percebeu rapidinho. A contradição evidente queimou a confiabilidade da empresária e apresentadora. Em 2016 foi a vez de Scott Disick passar vergonha. Ao promover a marca de chás Bootea, o socialite e ex-parceiro de Kourtney Kardashian publicou a exata instrução da campanha na legenda, entregando o script do briefing em vez de um conteúdo autêntico.

E lá na Itália, em 2022, Chiara Ferragni entrou para a lista de erros no marketing de influência com o caso Pandorogate. A blogueira, que hoje possui cerca de 28 milhões de seguidores no Instagram, promoveu e assinou as embalagens de um pandoro rosa de Natal de edição limitada da marca Balocco. A influ incentivou a compra dizendo que parte das vendas seriam doadas a um hospital infantil em Turim, no entanto a doação do fabricante já tinha acontecido meses antes do lançamento do produto.

A consequência? Multas de mais de €1 milhão pela Autoridade Antitruste da Itália (AGCM), críticas pesadas nas redes sociais e até a criação da Lei Ferragni, que regula as publis de influenciadores com mais de um milhão de seguidores. Em janeiro de 2026, o tribunal de Milão arquivou o caso e absolveu Chiara das acusações. Mesmo assim, o episódio entrou para a história como um alerta sobre transparência e responsabilidade na publicidade digital.

Com um consumidor cada vez mais crítico, a veracidade impera no marketing de influência — Foto: Freepik

Verdade and autenticidade

No marketing de influência, o público não perdoa a falta de verdade. Publis que demonstram desalinhamento, incoerência, artificialidade ou hipocrisia não falham apenas na forma, elas denunciam o que está faltando na base: cocriação, minha gente. Quando a mensagem soa falsa, o problema deixa de ser só estético ou criativo. Em alguns casos, entra no campo da desinformação, da publicidade enganosa e até do crime, como vimos.

A sinergia (olha que palavra bonita) entre marca e influenciador é o grande trunfo que toda ação de marketing de influência precisa. Enquanto um conhece o que o público deseja ou necessita, os limites legais e especificações do produto ou serviço, o outro sabe o que gera engajamento, a melhor plataforma e narrativa. Quando essa troca acontece, o resultado é conteúdo que funciona: parece orgânico, respeita normas, conversa com o público certo e constrói confiança. E confiança gera tudo o que as marcas buscam: reconhecimento de marca, identificação, comentários, compartilhamentos, tráfego, vendas, fidelização e (por que não?) afeto.

Conteúdos forçados ou que dão errado escancaram a falta de feat entre marca e criador. Por muitas vezes essa vibe é nítida. O criador de conteúdo pode não acreditar no que está falando. A marca explora, ou conhece, pouco o universo do influenciador. De um jeito ou de outro, a oportunidade de cativar o público é perdida. E até aqui, vimos muitos erros crassos de influs, mas para o portal Geek Publicitário, algumas marcas tendem a ser tão “quadradas” quando recebem as propostas de conteúdo vindas dos creators, que o termo “cocriar” pode até soar falso. O conteúdo é criado a duas mãos, e não a quatro.No mundo ideal, marcas e criadores escutam um ao outro, exercem liberdade criativa e entregam publis que dão gosto de ver!

Quem soube cocriar

Uma vez alinhados em valores, público e objetivos, os formatos criativos que marca e influenciador podem desenvolver são diversos, oportunizando sacadas fora do tradicional. Chegando finalmente nos exemplos que nos ensinam positivamente, vamos começar pelas publis que conversam tão perfeitamente que a gente nem sente que foi conteúdo patrocinado.

A gente falou dela nos flops, mas precisa reconhecê-la nessa ação aqui, tá? Gabi Brandt entregou suspense e a chave para participar do Comitê Secreto das Mães Exemplares com o NINHO NutriAdvance, suplemento alimentar para crianças entre 4 e 8 anos. A gata, que fala sobre lifestyle, moda, treinos e seu relacionamento com os três filhos no perfil, trouxe na mesma linguagem chique, que só ela carrega, o lançamento de Nestlé. Já Bri e Pedro, o casal formado por uma gringa dos EUA e um carioca, celebram as diferenças culturais e mostram seu dia a dia como casal com muito humor. Dentro do que a galera que segue já espera, produziram para Uber, Nivea, Reese’s e mais.

Ah, pessoas, e tem o MoriMura! O forte do moço é o humor do dia a dia, fácil da Geração Z se identificar, com esquetes curtas e formatos de POV. O creator brilhou numa ação com a Amazon Prime sem nem citar a marca no vídeo, mas sim interpretando os personagens da série divulgada: Maxton Hall. Eu confesso, não conhecia a série e só peguei a referência porque li a legenda. Quer mais natural e dentro do que o que o público ama, amigos?

A segunda temporada de Maxton Hall tá diferente! — Vídeo: Reprodução Instagram

Tangibilizando a cocriação

E vamos a Jhenny Keller, aka Jhenny à Obra. Sou suspeitíssima, porque conheço a Jhenny quando tudo ainda era mato, então, o amor aqui é forte! A creator é popular nas redes por tudo que ela faz com as mãos. Ela pinta (especialmente paredes, quadros e tetos rs), reforma casas, se aventura em marcenaria, cerâmica fria, ímãs, xícaras, pratos, ama cantos arredondados & uma trena, faz lettering, journaling… Já deu pra ver que eu sou fã mesmo, né? Imagina só a minha surpresa quando eu estava em Moema (SP) e vi ao vivo essa parede feita por ela? Sur-ta-da.

Então, continuando. A Jhenny é um ótimo exemplo de colaboração natural com marcas. Já fez muitas collabs com o Burger King, pintou para O Boticário, fez reformas do lado da Bosch, mas nesse próximo case, ela se juntou em 2025 com a marca brasileira de produtos outdoor e aventura, Galapagos. Aqui o marketing de influência foi além: a cocriação não foi só de conteúdo, mas de produto. E foi um absurdo de sucesso, viu? Keller fez dois desenhos para estampar o modelo de garrafas térmicas Duo Flow e o estoque previsto para durar do lançamento (01/10) até a Black Friday esgotou em apenas 2 horas! Que influ, fala sério!

Um internauta ressaltou a comunidade: “AGORA OS FRIENDS DE @jhennykeller VÃO SE RECONHECER PELA RUAAAAAAAAAA” — Vídeo: Reprodução Instagram

Indo além do #postpatrocinado

Sim! Os formatos são muitos, amigos! Um caso bem bacana é o do chef de cozinha e influenciador, Léo Abreu, que além de dono de três restaurantes é apresentador do canal do YouTube da rede de supermercados Bistek, conhecida no sul do país. Os tutoriais, no estilo brand publishing (a gente já explicou aqui), são pensados com ingredientes práticos daqueles que você encontra nas prateleiras do mercado, seja para o dia a dia ou datas especiais. Desde 2020, o canal da rede é comandado por ele, gravado na cozinha dele e com receitas dele. Isso que é confiar em um creator, sim ou claro?

Agora, me fala: nós, bringers, deixaríamos de citar algum exemplo de branded content? Jamais. Pensa num MasterChef repaginado, mais ágil, mais digital e totalmente conectado à marca… Esse é o Desafio do Mohamad: Batalha RAP10. Nele, Mohamad Hindi uniu dez cozinheiros para entrarem na disputa por um prêmio de R$ 10 mil, criando pratos originais com RAP10 em provas temáticas nada óbvias. Ah, e Léo Abreu não foi embora tão cedo! Ele tá aqui nesse case também, mas como jurado, junto do próprio Mohamad e da vencedora do MasterChef 4, Michele Crispim.

Além de influ, Mohamad tem sua própria produtora, o Estúdio M — Vídeo: Reprodução YouTube

E pra gente fechar por hoje, POD ENTRAR + Black da Amazon. Se você acompanha o canal do podcast POD DELAS, sabe que o perfil possui um quadro fixo visitando a casa, o apartamento ou a mansão de personalidades. Foi nesse contexto que a Amazon viu a oportunidade de brilhar sua campanha e três produtos, enquanto o apresentador e influ Lucas Rangel Rangel passeava pelos cômodos de Sasha Meneguel e João Lucas. Espie aqui.

Aliás, nessa pesquisa, uma das bringers por aqui recomendou o episódio de um reality divertido conduzido pelo Rangel, no próprio canal, em que influenciadores menores são avaliados pelas suas publis em parceria com a Americanas. Vale conferir!

Marketing de influência que faz sentido

Você já ouviu falar da planilha dos influenciadores? Ela deu o que falar no ano passado e revelou um mercado enorme que ainda está aprendendo a se organizar. Com quase 4 milhões de criadores de conteúdo ativos no Brasil (Reglab), ficou claro que não dá para tratar todo influenciador como igual, nem esperar os mesmos resultados de perfis completamente diferentes. Profissionalização, critério e expectativa bem alinhada deixaram de ser luxo, viraram necessidade.

E aqui entra um ponto-chave: marketing de influência não é só sobre números ou publis bem-feitas. A influência acontece no cotidiano, na confiança construída ao longo do tempo. É quando a pessoa indica um lugar, uma comida, um produto e o público escuta porque faz sentido dentro daquela conversa. Quando a marca entra respeitando esse território, sem forçar discurso ou formato, o resultado aparece, e aparece com força, viu?

Por isso, investir em influência pede mais do que trend ou dancinha. Pede pesquisa, acompanhamento, entendimento de linguagem e, principalmente, clareza sobre o papel daquele criador na estratégia. Influenciador é mídia, sim, mas também é conteúdo, contexto e relacionamento. Quem entende esse pacote por completo sai na frente.

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